Impasse na dragagem do Tapajós ameaça escoamento de grãos no Arco Norte
A menos de três meses da estiagem na Amazônia, falta decisão sobre dragagem no Rio Tapajós e corredor logístico estratégico enfrenta risco de paralisação.

A menos de três meses do período mais crítico da estiagem na Amazônia, o Rio Tapajós segue sem decisão ou previsão para a realização de obras de dragagem. A via fluvial funciona como o principal corredor para o escoamento de grãos do Arco Norte e representa a quarta hidrovia mais movimentada de todo o país, segundo levantamentos do setor logístico.
A ausência de intervenções preventivas ocorre em um cenário de alerta para novas secas severas na região norte, impulsionadas pelos impactos previstos do fenômeno climático El Niño. A navegabilidade do trecho fica comprometida quando o volume de água cai drasticamente, gerando filas de comboios e encalhes de barcaças que transportam a safra agrícola brasileira.
Para as empresas de infraestrutura de transporte e operadores portuários, a falta de previsibilidade na manutenção das hidrovias eleva o custo logístico e gera incerteza jurídica para os contratos de concessão e navegação interior. O escoamento de soja e milho com origem no Centro-Oeste depende diretamente da fluidez pelo Tapajós para competir nos mercados internacionais.
O impasse envolve a indefinição de responsabilidades e prazos por parte dos órgãos federais competentes para mitigar os efeitos da baixa dos rios antes que o período crítico se instale de vez. Sem dragagem de aprofundamento e balneamento nos pontos mais críticos, a capacidade de carga das embarcações precisa ser reduzida drasticamente para evitar acidentes.
A restrição de calado afeta diretamente a eficiência operacional das empresas de navegação, que conseguem transportar apenas uma fração de sua capacidade total durante os meses de seca extrema. A perda de produtividade na hidrovia pressiona os custos do frete e força o escoamento por rotas alternativas mais longas e onerosas.
Gestores logísticos e profissionais da engenharia portuária e hidroviária monitoram a situação diante do risco iminente de estrangulamento na cadeia de suprimentos de exportação. O próximo passo exige uma definição urgente de cronogramas emergenciais de intervenção física no leito do rio para evitar prejuízos bilionários ao agronegócio e à infraestrutura de transporte nacional.
Com informações de Agência iNFRA.
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