ONS prevê corte de 40 GW na geração de energia entre 2027 e 2030
Excesso de oferta de fontes renováveis pode forçar interrupção, mas El Niño pode atenuar a necessidade de cortes.
O Operador Nacional do Sistema Elétrico (ONS) projeta que o Brasil poderá enfrentar cortes na geração de energia de até 40 GW entre 2027 e 2030. A previsão aponta para um cenário de excesso de oferta no sistema, que poderá exigir o desligamento de usinas para manter a estabilidade da rede.
Essa projeção se deve, em grande parte, ao rápido avanço das fontes renováveis, como a solar e a eólica, que adicionam grande capacidade ao sistema. A intermitência dessas fontes, com picos de produção em determinados horários, cria desafios para a gestão da oferta e demanda.
Os 40 GW representam um volume significativo de energia que precisaria ser desligado, evidenciando a complexidade de gerenciar a estabilidade da rede elétrica diante da expansão acelerada e da natureza variável das novas usinas. A capacidade de geração instalada supera a demanda em certos períodos, forçando o ONS a manobras para evitar sobrecargas.
Contudo, a ocorrência de fenômenos climáticos como o El Niño pode alterar este cenário. Em períodos de menor geração renovável, a demanda por usinas térmicas aumenta, o que poderia reduzir a necessidade de cortes por sobreoferta.
O El Niño, ao afetar regimes de chuva e ventos, influencia diretamente a produção hidrelétrica e eólica, exigindo uma operação mais coordenada dos diferentes tipos de geração. A necessidade de combinar fontes renováveis com a flexibilidade das térmicas é crucial para a segurança do abastecimento.
Para o setor de engenharia e infraestrutura, a projeção do ONS sinaliza a complexidade crescente na gestão do sistema elétrico. Investimentos em sistemas de armazenamento de energia e na modernização da infraestrutura de transmissão tornam-se ainda mais relevantes para absorver a intermitência das renováveis e evitar o desperdício de energia.
Profissionais da área devem observar as próximas análises do ONS e as diretrizes regulatórias, que podem priorizar soluções para a flexibilidade e a resiliência do sistema. A integração de novas tecnologias, como a inteligência artificial para previsão de geração e demanda, será fundamental para otimizar a operação e mitigar os riscos associados a esses cortes programados.
Com informações de Folha de S.Paulo.
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